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Em nome da UMAR, inicio agradecendo à Biblioteca Orlando Ribeiro podermos estar aqui a apresentar as actas do Congresso Feminista em formato digital; agradecendo também a presença de Ana Vicente e Ana Cristina Santos, por estarem aqui, trazendo pelas suas mãos a importante obra que ambas representam para o feminismo, duas gerações de investigadoras e activistas, outras tantas “branches” do movimento; agradecendo também à FCT e à Fundação Calouste Gulbenkian, assim como a todos os outros apoios que tornaram possível a realização do Congresso, mas a estas especialmente a quem esta edição deve a possibilidade da sua concretização. Uma palavra também para Graça Morais e Agostinho Santos pelas imagens dos cartazes uqe constituíram as “caras” do Congresso na sua divulgação. Agradecer ainda a Cristina Duarte pelo trabalho desta edição e à Manuela Tavares, Salomé Coelho e Manuela Góis, pelos esforços desenvolvidos para aqui chegarmos.
A importância deste momento, um ano depois, liga-nos ao que foi o Congresso Feminista, em termos do seu significado político, científico e de activismo. Não mais será possível dizer que não há movimento feminista em Portugal, porquanto frágil, fragmentado, pouco coeso, mas movimento e feminista.
O Congresso constituiu um momento no nosso país – país misógino, e sexista, homofóbico e patriarcal, classista e racista – para afirmarmos colectivamente que o tempo do feminismo é AGORA e é “nosso”, também para as nossas filhas e netas, ligando às raízes, no passado, e movimentando as asas, para voar no futuro. Não obstante uma história contingente, material, sexual, racial, classista, capacitista e intelectual, é hoje mais possível falar num “nós” de muitas cores, de muitas mãos, braços e corpos, de um sujeito multivocal e multicorporal, realizando sínteses, mas também abrindo caminhos para o pensamento divergente, à praxis numa ética e estética feministas. Seremos como Teresa de Lauretis, sobreviventes do fim da história? Uma palavra para a UMAR – criámos um espaço discursivo, através do qual um movimento plural se pode afirmar em trajectos, percursos e vias para melhorar as condições das vidas das mulheres e sobretudo das que mais sofrem nesta sociedade classista, patriarcal, sexista, machista, homofóbica, racista e capacitista. A UMAR tem sido capaz – e espero que continuemos a ser capazes – de colocar as causas em primeiro plano, face ao interesse individual ou mesmo da associação, ofertando o nosso esforço para o desaguar colectivo de forças e energias que possam ser canalizadas para mudar o mundo. Capaz também de dar voz a diferentes gerações e perspectivas igualmente espelhadas neste CD-Rom e outras edições que se seguirão sobre o Congresso. Capaz também de criar espaço para o eu e para as redes de nós. Nestes tempos de cyber liberalismo, onde o simulacro se sobrepõe ao genuíno, me orgulho de estar neste rio (ou ribeiro, ou mesmo ribeirinho) que liga Ana de Castro Osório ou Elina Guimarães, a Lourdes Pintasilgo e Madalena Barbosa, a tantas outras que estamos aqui em corpo ou em espírito. Se a metáfora da água nos pode levar à vida, o movimento faz-se também de fogo, nos momentos de divergência, de terra, quando lenta e serenamente semeamos e alimentamos para que cresça, e de ar que acena, alimenta e faz mover. |