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Una organización de UMAR - Unión de Mujeres Alternativa y Respuesta, ampliada a una vasta Comisión Promotora. Una iniciativa de ámbito internacional.

 
26 y 27 de Junio en la Fundación Calouste Gulbenkian, Lisboa.

28 de Junio en la Facultad de Bellas Artes, Lisboa.
 

Feministas

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Este Congresso pretende constituir-se como um acontecimento de carácter científico e interventivo, englobando as/os principais investigadoras e investigadores do campo dos estudos sobre as mulheres, dos estudos de género e dos estudos feministas em Portugal, bem como das e dos activistas que, no terreno, se envolvem na luta pela transformação de uma sociedade hierarquizada e desigual, muitas vezes, colonizadora e predadora do mundo social e natural, contribuindo para a construção de uma comunidade de activistas e cientistas que defendem um mundo mais igualitário, onde o respeito pelos direitos humanos e pela riqueza cultural sejam metas a atingir na corrida contra a violência.
 
Maria Gabriela Llansol Imprimir E-Mail
escrito por Albertina Pena e Maria José Magalhães   

« HÁ QUE GERIR OS PODERES DA MEMÓRIA »

Maria Gabriela Llansol,

in Amigo e Amiga, Curso de Silêncio 2004

 Faleceu Maria Gabriela Llansol, escritora e poeta que a academia e a literatura não conseguiram categorizar por ter trilhado um caminho original, à margem e fora dos cânones definitórios e disciplinadores que ela sempre recusou.

Completamente dedicada à escrita, à qual alguém chamou de « escrita laboratorial », deu também grande importância à leitura, tendo mostrado um grande prazer pela leitura em voz alta (o que costumava fazer no GELL – Grupo de Estudos Llansolianos e cuja voz podemos ouvir no www.espacollansol.blogspot.com ).

Escreveu :

Ler é permitir que um chamamento nos afecte, e o nosso corpo se transforme num corpo de afectos Isto é entrar no real. Aquilo a que chamamos literatura é apenas uma tentativa de abrirmos aos outros o caminho que nos conduz a este real.

Escrever é entrar na afirmação da solidão onde ameaça a fascinação. É libertar-se ao risco da ausência do tempo, onde reina o eterno recomeçar.

 

A relação entre o texto e o corpo, e destes com o tempo e a imagem são absolutamente inovadores no trabalho de Llansol que nos diz:  “Exercitaremos os pés por entre as imagens e as mãos sobre a escrita.” (in O Senhor de Herbais, p. 37) e ainda que “Passar da explicação ao corpo, é urgente” (in Cantores da Leitura).

Com uma obra extensa, entre as quais não podemos deixar de nomear O Livro das Comunidades pela sua inovação em termos literários, e Na Casa de Julho e Agosto pela originalidade da sua narrativa sem narrativa, das personagens que o não são, dos retratos metamoroseados de mulheres que desintegra, que desfaz o equilíbrio a que o texto narrativo nos tem secularmente habituado.

Escrever e ler em voz alta eram, em si mesmas, dimensões da experiência corporal, prazerosa, experiência de troca, libidinal e mental, afectiva também, de amplificação do mundo.

Mesmo que as distinções públicas e canónicas não sejam critério, de um ponto de vista feminista, vale a pena lembrar que Maria Gabriela Llansol obteve diversas distinções, entre as quais se contam, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1990 ("Um beijo dado mais tarde") e em 2006 ("Amigo e Amiga").

Por tudo isto, a UMAR não deixa de lhe prestar as suas homenagens e de levar bem fundo, pelas mulheres, pela luta e pelo combate, o seu lema : « há que gerir os poderes da memória ».

 
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